domingo, 27 de março de 2011
O encontro
... e ela escolheu o melhor dia da semana,
aquele que era o seu 'dia da sorte'.
E aguardou por esse dia anciosamente;
a cada um deles a expectativa aumentava
e ela se olhava no espelho o tempo inteiro,
tentando encontrar algum defeitinho que pudesse ser consertado em 3 ou 2 dias.
E ouvia sua música preferida..
lembrava e relembrava..
e imaginava várias coisas para aquele dia que seria especial..
ensaiava pra falar, mas nada parecia bom o bastante..
bom mesmo seria improvisar.
Uma noite antes, nem conseguiu dormir direito; e quando chegou o dia
nem acreditava, pulou da cama mais cedo que sempre;
tomou café e um belo banho que a fez viajar quilômetros
sem sair debaixo do chuveiro;
"desmembrou" seu guarda-roupas inteiro, tentando encontrar a melhor peça..
levou quase a manhã toda só pra isso, mas enfim,
encontrou o vestido perfeito.. ainda nem havia usado.
Estava decidida a estreá-lo.
Arrumou o cabelo assim meio de lado.. para que os brincos aparecessem.
E para nem passar perto de se atrasar, saiu.. cheia de vida e cheirando à sândalo.
Chegou ao local, que era o seu preferido da cidade, se sentou e pediu uma água tônica
para esperar passar os minutos até chegar a hora marcada..
E essa hora demorou, mas chegou
e quando chegou ela quase não se continha de ansiedade,
afinal ele chegaria a qualquer momento...
e se passaram 15 minutos, 20,
1 hora, 2 horas...
E ele não ligou
e ele não chegou..
e ela foi embora..
pensando no encontro
que não aconteceu.
Taynara Andrade
sábado, 19 de março de 2011
Por quê?
E por que o que é feio não pode ser bonito
e alguém legal não pode ser meio esquisito?
E por que o que é "certo" permanece nesse estado
e o que é dito como errado obrigado a permanecer calado?
E por que se ouve música só com a audição
se ela pode ter sido feita com o coração?
E por que um paradigma não pode ser quebrado
e as coisas saírem um pouco do esquadro?
E por que a vida não pode seguir naturalmente
sem ser premeditada em alguma mente?
E por que taxar as coisas só com o "achar" que elas são
sem levar em conta qualquer abstração?
E por que o escuro não pode ser receptivo como a claridade?
Quem ditou isso como verdade, só podia ser covarde.
E quem tem uma verdade absoluta na mão,
por que essa não pode ser uma decepção
sem ter de causar qualquer decepação
em mente ou coração?
Por quê?
Taynara Andrade
sexta-feira, 18 de março de 2011
Amanhecer
![]() |
| Vila num dia de sol - Adriano Ferro |
Tudo revigorado..
Se ontem estava ruim, agora está em outro estado
Aquela angústia ficou no pesadelo,
Talvez à tardinha, eu vá até esquecê-lo;
O cansaço exorbitante
Acaba aqui nessa manhã gritante
Com esse sol olhando pra mim
Me induzindo a dizer um grande sim;
Meus ossos, agora fortificados
Nem conseguem ficar parados,
Minha mente já limpa e ansiosa
Pra receber o que tiver de coisa mais gostosa
Vem manhã.
Vem tarde..
Vem noite...
O dia não dura muito tempo,
Logo mais à noitinha eu não me aguento,
A angústia volta do pesadelo
E me faz outro apelo..
E os meus ossos, agora cansados, querem adormecer
E a cabeça se esquecer
Pra chegar logo o outro amanhecer
E a cada um desses, amadurecer.
Taynara Andrade
terça-feira, 8 de março de 2011
Nessa noite
![]() | |
| Marc Chagall - "Le violiniste bleu" |
não tem cor,
não tem lua,
nem mesmo qualquer odor.
Nessa noite não há nada para descrever,
não há sabor não há alegria
nem algum vestígio de agonia;
nada que signifique algo além de nada;
não tem palavras apropriadas
ou rimas mais caladas,
talvez elas nem existam,
mas me contento em representar,
apenas representar com fiapos cândidos
de singelos desabafos gritantes
e pontuações de coração palpitante.
Essa noite.. que já foi tanta
e agora é demasiadamente pouca,
com esse silêncio de me deixar rouca.
Nessa noite eu não sei se eu existo
e já nem mais me cogito;
essa noite não tem nada a me dizer
não tem frio nem calor,
nem leveza nem ardor,
nem beleza nem pudor.
Nessa noite abarrotada de vazio
não sei o que pensar e o que escrever,
não sei quando vou dormir ou como vou amanhecer
e ninguém sabe o que pode acontecer,
por isso é melhor eu me abster
de todo esse oculto querer,
porque nessa noite.. você não está aqui.
Taynara Andrade
segunda-feira, 7 de março de 2011
Nós?
Ultimamente ando me reparando
e ando pensando..
pensando de mais em você;
não pode ser,
a gente nem se fala e nem se vê,
mas não consigo te esquecer
e tenho vontade de te ouvir e te ver,
te sentir e te descrever em escrever.
Tenho sonhos com você
e me lembro de você em tudo que vou ler, ver..
e imagino um amanhã tão distante que pode nem ocorrer
e te tenho tão guardado, tão aqui dentro, tão fundo
que deve ser a coisa mais segura do mundo.
E me inspira a cada gesto feito,
a cada penteado desfeito,
me deixando sem jeito
com esse seu jeito imperfeito
e me irrita você lá e eu aqui;
sem nunca ter
eu perdi
e sem me envolver eu sofri,
sem você saber eu senti;
agora já vi
sou fato esquecido
você é caso perdido
e nós algo nunca ocorrido.
Taynara Andrade
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Do meu exílio
Muitas letras, muitos neurônios,
muitos erros e medos platônicos;
canções pela metade,
textos por fazer
e desafios à capacidade
de quem, nas entrelinhas, sabe ler.
Tudo na mais perfeita ordem
e eu regente desse pequeno universo
que [ao menos por enquanto], deve ser só meu;
o mundo lá fora até já me esqueceu
e eu?.. isso não importa..
Sempre ponderando,
às vezes esperando
e me esquecendo que expectativas quebradas
podem doer mais que facadas;
porque foram elas, aquelas migalhas de atenção
que me deixaram dessa maneira,
pensando que não..
que "era besteira".
Então nunca sei o que todo mundo sabe
e agora esse lugar quase não me cabe,
porque me olhando desse espelho pareço ser outra pessoa
e quando minha voz ecoa,
não.. essa nunca foi a minha;
isso me dá um frio na espinha...
e sempre passa da meia noite
e eu, como sempre, falando sozinha..
aqui.. no meu exímio exílio paralelo.
Taynara Andrade
domingo, 6 de fevereiro de 2011
É lá...
É na ausência que sinto
na presença que minto;
É na falta que eu tenho
no medo que enfrento
no frio que esquento
na falta de você que te invento,
só então percebo a fria que entro..
É no silêncio que te ouço
no escuro que te vejo
e te beijo
e nas horas vagas não te deixo;
É na brutal simetria de minha vida
no obsessivo desconcerto da minha escrita..
é nas palavras que eu calo
e não falo,
é lá.. é lá que está...
e você pode encontrar.
É no livro que eu não leio
no dia que você não veio
no texto que não está escrito.
É no relógio que parou
no fato que não se elucidou..
é nesse sonho que eu vivo,
na vida real, me esquivo,
porque é no final que a gente entende o porquê do começo,
disso, jamais me esqueço.
É nessa busca que te perco
na dúvida que te encontro
e se te encontro me perco,
se te perco me agonizo,
me encontro num beco
e fico..
até você me encontrar..
porque é lá.. é lá que eu vou estar.
Taynara Andrade
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Um absurdo
É um absurdo não poder me expressar
e não querer nunca, amar.
É um absurdo nem poder dizer, afinal
pra alguém que é especial,
mesmo que esse não fosse o objetivo inicial..
Porque quem sente hoje, vai pro hospício
como se fosse resquício..
de loucura
de idiotice
de intemperície
de ilusão,
quero não..
desse jeito
não cabe nada no meu peito
que ao amor diga respeito..
Um absurdo doer só em mim,
mas enfim
um absurdo..
não poder gostar
ou me decepcionar
por não ser o que idealizei,
é covardia eu sei,
mas a princípio nem pensei.. e neguei
e depois até notei
que é ridículo fugir das palavras que levam às pessoas
e das pessoas que levam às palavras
é inaceitável a fuga de si mesmo
e cair num grande ermo..
não..
posso sim
querer algumas imperfeições pra mim
e que sejam elas sem fim..
como se a decepção fosse o fim do mundo
e que o amor, do poço, fosse o fundo
e se pode chegar lá em menos de um segundo.
Eu bem que queria o dom de não me apegar ou me decepcionar
e ser por qualquer instante
totalmente inconstante,
como sempre fora antes..
Mas me perdi outra vez
nessa sua altivez..
e concluí que o amor é tão ridículo quanto nós somos
e nós existimos tanto quanto o amor,
seja a interpretação como for
Eu só queria existir
e não ser ridícula por isso..
Taynara Andrade
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Voltou
![]() |
| O Grito - Edvard Munch |
Voltou..
Quando eu menos esperava,
quando até pensei que melhorava, voltou.
Quando pensei que a poeira tivesse baixado
e que minha ira tivesse se calado, voltou..
Tudo outra vez..
Volta e meia esse mesmo veneno me tenebria,
a raiva novamente me ludibria
e com isso se regozija
me fazendo cair sempre no mesmo lugar,
onde eu nunca mais queria estar.
Aí quero gritar.. gritar..,
mas quem vai vir me buscar?..
quem poderia acha que não pode
e por isso minha cabeça quase se explode
tentando entender
o grande pecado que eu fiz pra merecer..
pagar por tolices que não foram minhas
e ter que conviver com isso.. como se fosse meu
então novamente minha mente fica num breu...
e a culpada?... Ah! deve ter sido eu...
e agora eu devo ter maturidade,
quando questionada sobre a verdade,
que eu inclusive nem sei,
e culpada do que eu não errei.
Resolvi. Me calei.
A frieza das pessoas me comove. Profundamente.
e me deixa com a mão quente
escrevendo apelos e mais apelos,
sabendo que quem lê-los,
ou pode entender...
ou fingir não poder.
Taynara Andrade
domingo, 16 de janeiro de 2011
Como eu queria..
Como eu queria..
te tranquilizar, dizer pra não se preocupar
e te falar,
que tudo valeu a pena sim
e que te queria perto de mim.
Como eu queria..
te mostrar que cresci
e mostrar o como eu vivi,
só pra compartilhar
e não ficar tão pesado de carregar
e no final de tudo, ainda te orgulhar.
Como eu queria..
que soubesse
o quanto a sua ausência me estarrece
e até me enfraquece.
Como eu queria..
te dizer que com esse texto, de você, eu me lembro
e dizer que dói tanto, que me desmembro;
cada palavra que, aqui, adentra,
cada uma delas me arrebenta
como se esse texto fosse um camicase..
então eu junto trapos de frases,
pra escrever..
já que eu queria, queria muito, dizer...
como eu queria,
mas até hoje, não aprendi...
Taynara Andrade
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Continua..
A princípio qualquer palavra, jeito ou tratamento ilude;
depois, é esperança em amplitude..
dúvidas constantemente
e deixo de ser dona de minha mente..
e não raciocino mais como antes,
não quero mais o que eu queria antes,
não vivo mais como eu vivia antes..
e tudo que me diz fica armazenado
tentando ser desvendado.
E não consigo entender vários por quê's,
principalmente o do mal que você me fez..
não faça assim,
seja claro pra mim..
ou me cuida, me ama e me desperta;
ou me chuta, me odeia e me disseca
sem esse vai e vem de questões e (sub)intenções,
e respostas subentendidas..
todas elas me deixam perdida
no hall do sentimento
que aliás, é um tormento.
E no final?
ainda não tem final;
continua na vida real...
Taynara Andrade
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Isso é tudo
Eu sabia, você sabia, nós sabíamos,
mas por algum motivo não evitamos
e aqui estamos.
Agora é isso..
essa coisa estranha em você, em mim
e nós sabíamos que seria assim,
mas nós deixamos, e nos deixamos
por quê?
vai saber..
Talvez a gente quisesse
que um, perto do outro, estivesse
pra... sem muitos rodeios, ou galanteios
cativasse qualquer conversa
mesmo, estando eu, meio dispersa.
Vai ver a vida que fez isso
só pra confundir e se divertir,
nos mostrando que o mundo é um grande DEVIR..
ou talvez fosse um erro calculado
acertando só o meu lado..
Dane-se, eu não sei o que fazer..
posso sumir por um tempo,
mas não de mim.. aqui dentro.
Só não me julgue mal,
porque não seria recíproco afinal.
Adultos.. só por fora
por dentro, crianças a toda hora;
e não diga sem pensar,
jogando tudo fora;
o tudo que pode ser pouco, quase nada,
mas é tudo...
[DEVIR: Filosofia. Movimento pelo qual as coisas se transformam]
Taynara Andrade
Recolocando os papéis
Nada criativo, apenas explicativo.
Essa é a verdadeira história da Cinderela..
Ela não era aquela santa que todo mundo conta, era uma garota extremamente problemática, vivia nos bailes e era do tipo de garota que "esticava"..
Sua mãe vivia tentando colocar juízo em sua cabeça, mas tinha sérios problemas no coração e não suportou saber que Cinderela já tinha engravidado e abortado duas vezes, na segunda vez o rapaz até que queria assumir a criança, mas ela não quis e disse que não se casaria com um fracassado feito ele e muito menos seria mãe daquela "criatura".
Essa foi a razão pela qual a mãe de Cinderela faleceu.
E ela, pouco ligando pra isso, continuou com sua vida de "adrenalina".
Seu pai logo se casou novamente com uma outra senhora viúva que tinha duas filhas, ele era bem velho e doente, e a cada madrugada que Cinderela demorava a chegar, sua saúde piorava, até que um dia, como já era de se esperar, morreu.
As histórias dizem que a madrasta era má, mas quem conheceu Cinderela de perto, como eu, sabe que não era bem assim.
Ela não gostava da madrasta, que aliás era uma mulher muito boa e paciente, porque ela e as filhas tentavam fazer o que a mãe não conseguiu, aconselhar, e instruir a garota, e Cinderela achava aquilo um grande "porre".
No dia do famoso baile, que seria uma festa beneficente com pessoas de muita influência na sociedade da época.. Esse definitivamente não era o estilo de festa que Cinderela costumava frequentar, mas ela quis ir mesmo assim.. talvez pra importunar.. ou ... sei lá, ela queria ir acompanhando a madrasta e as duas filhas. Até aí tudo bem, elas adoraram saber que a menina finalmente iria a um lugar de mais classe e seguro. Mas antes de ir à festa, que começaria mais tarde, Cinderela resolveu ir a um barzinho com os amigos.. e se esbaldou no vinho, chegando em casa .. bêbada (e aliás toda aquela alucinação de fada madrinha, abóbora, ratinhos.. foi em função do vinho), e ainda sim queria ir à tal festa, a madrasta e as filhas deram banho, café e depois tentaram por tudo convencê-la de ficar em casa e que no próximo baile ela iria, mas foi em vão.. ela iria e pronto.. Então elas não puderam fazer mais nada e acabaram a levando.
Uma das filhas da madrasta era noiva de um rapaz muito rico e bonito.. Cinderela, que já tinha melhorado um pouco, ficava trocando olhares com ele e roçando em sua perna por baixo da mesa sem que ninguém percebesse, só ele, claro.
Ele que apesar de ser rico e bonito, era também um mulherengo, adorou Cinderela: "tão desinibida,.. bem diferente da minha noiva". Em certo momento, Cinderela disse que ia tomar um ar fresco e foi até o jardim, logo o rapaz, desfarçadamente foi atrás, e lá... consumaram toda falta de caráter que os dois tinham e de sobra.
Algumas semanas depois, Cinderela descobriu estar grávida.. novamente, mas dessa vez como o rapaz era rico ela decidiu ter a criança, e contou a todos.. houve uma grande confusão até que tudo se ajeitasse. Ela conseguiu se casar com o rapaz, que até tinha gostado dela.
Cinderela às vezes até mandava entregar bilhetinhos para a filha da madrasta dizendo que ele era um ótimo marido, pai e .."ótimo em TUDO"...
Enquanto na verdade ele se mostrou um marido extremamente agressivo e alcoólatra...
Ela teve o que merecia..
E a história do sapatinho? Balela.. só historinha pra criança.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
E na ilusão de alguém...
Vem cá, deita aqui do meu lado;
tá escuro e um pouco gelado..
Tem aqui outro travesseiro,
que tá inclusive com seu cheiro..
Vem, chega mais perto;
senão, não fica coberto..
Viu como eu tô arrepiada?
não sei, mas ando meio cismada..
Segura um pouco a minha mão,
é que eu tô com um vazio no coração..
Sabe... tô escrevendo algo sobre você...
ei..
ei...
cadê você?...
Taynara Andrade
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
As palavras
Elas se camuflam, me torturam, me orgulham..
Será que mexem contigo, tanto quanto comigo?..
Elas se insinuam pra mim,
até quando não estou muito afim
me saem até pelo espirro,
eu chego que me embirro.
Elas... às vezes meio sinérgicas,
outras meio patéticas, e até as que não tem muita ética.
Elas... fortuitamente escritas,
porque de alguma forma, não são ditas
e sempre analógicas a fatos de vidas;
entre falar coisas que doem e sofrer..
melhor arranjar palavras e escrever..
Até já desisti de me esquivar,
resolvi mesmo me entregar..
Só que quando me entrego
e não mais as nego,
elas me consomem e
depois..
simplesmente, somem...
Taynara Andrade
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Decepção
..e me fez sentir culpada,
vida (des)graçada
e se fez tão doce e inocente,
mas na verdade age tão perversamente..
Melhor seria se eu ignorasse...
como se, você, não me importasse.
E era tudo mentira.. aquela aceitação,
tudo espera pra um golpe de supetão..
Agora não..
não deixo..
por isso me queixo...
mas não sei se te deixo..
acho que devo..
Eu bem que quis, e te quis,
e o que você me diz?...
e nem dou o braço a torcer,
mas tomara que não vá me esquecer..
E não se aproxime, por favor
se não, chega a me dar calor..
e eu aqui falando sozinha,
com seu orgulho de pessoa mesquinha..
nem sei como aturo,
esse seu jeito inseguro.
Pior de tudo,
é que não sou capaz,
da maldade que você me faz...
Taynara Andrade
Aprender com o tempo
Com o tempo a gente aprende, que nem tudo está ao nosso alcance
e que podemos nunca mais ter outra chance.
A gente aprende que deveríamos ter feito diferente,
mesmo parecendo inconsequente.
Com o tempo a gente aprende a esquecer,
ou pelo menos não deixar transparecer.
Aprende a segurar as coisas com mais força e empenho,
mesmo que para isso suporte algum desdenho.
A gente aprende a ser mais e parecer menos,
aprende também que nada é, tudo está.
A gente aprende a exigir menos, até quando mais queremos,
e aprende a exigir mais, até quando não se é tão necessário.
Com o tempo a gente aprende, que o tempo nada mais é
do que uma desculpa para a nossa demorada aprendizagem,
e que aprender nada mais é,
do que uma mera consequência do tempo.
Taynara Andrade
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Desabafo
Todos nós que tanto julgamos
e com isso nos lambuzamos do início ao fim de nossas vidas.
Todos nós que com frieza calculamos a forma mais egocêntrica de agir..
Que temos faces fictícias que se desmontam hora de dormir..
Que toleramos até onde for
só pra não parecermos "bobos",
que seguimos só porque é moda,
que nunca enxergamos alguém e sim algo,
que estamos atolados de regras patéticas,
nós que tememos PANE em nós mesmos
e não "podemos" ser diferentes.
Todos nós que medíocremente, vivemos com tanta usura,
todos nós que sapientes de ignorância,
não mais, sabemos sentir fragrância.
Toda nossa insanidade e prepotência
fazendo jus a nossa pequena e insígnia existência.
Taynara Andrade
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Aquela menina
Quem olha aquela menina, nem imagina
a história que já traz consigo, carregada de perigo.
Uma vida com poucos anos e esses poucos anos com vida até de mais..
Aquela menina presenciou muitas coisas,
e ainda sorri para as pessoas
e consegue acreditar em coisas boas.
Claro, tem uma desconfiança latente
e o sangue bastante quente,
às vezes nem sabe como se sente,
mas ela se contém, e até que se sai bem..
E conhece a vida de algumas formas,
que seja com ou sem normas..
Sempre teve vontade de falar tantas coisas
e nunca disse quase nada..
Sempre se defendeu sozinha,
ainda bem que fôlego pra correr ela tinha..
Ainda é uma criança...
Com esse jeito e esse rosto, que às vezes até enternece,
mas é mais forte do que parece.
Ela atravessou a linha do trem sem olhar para os lados
e de ouvidos tampados, carregando todos os seus fardos...
E ainda é uma menina...
que tem o choro preso na garganta,
mas pega seu instrumento e canta,
pouco antes da hora da janta,
assim, as lembranças, ela espanta.
Taynara Andrade
domingo, 12 de dezembro de 2010
Do que eu preciso
Preciso sentir o frio, a dor de cabeça
e até que alguém me esqueça.
Preciso sentir o medo, a decepção
e também de ouvir alguns não's.
Preciso sentir saudade, alegria
inclusive suportar algo que eu não queria;
sentir a pressão, a instabilidade
e saber cedo de mais que ninguém diz só a verdade.
Preciso sentir preguiça, tocar meu instrumento musical...
e mesmo que pareça meio banal,
fingir acreditar que sou sensacional.
Preciso de abraço, de amasso,
talvez até de algum beijo devasso
já que o amor anda escasso.
Preciso sentir o sono, o calor,
e também de alguns minutos de fulgor..
Tudo isso porque, pra viver, preciso sentir que estou viva.
Taynara Andrade
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Primeira narrativa
...e como sempre, a mãe costurava..
só que dessa vez, mais cabisbaixa do que os outros dias...
A filha mais velha vai até o fogão e depois até a geladeira,
mas não viu o que procurava, então vai até a mãe e pergunta: "Mamãe, e a janta?",
a mãe, com muito custo, levanta a cabeça com os olhos naufragados em lágrimas e com a voz trêmula e pesada diz:"hoje não tem"...
Aquela voz e aqueles olhos doeram fundo na filha, que pensou ter que ser forte naquela hora
e segurando o choro, só pra não fazer a mãe se sentir pior ainda, disse:"tudo bem mamãe, eu não queria comer mesmo.."
olhou pra uma brecha da cortina que dava pro quarto, viu a irmã mais nova e pensou:"ainda bem que ela dorme e não precisa saber disso agora...".
Taynara Andrade
domingo, 5 de dezembro de 2010
Só pensei..
Eu pensei que eu era diferente,
que eu não ligasse pra toda essa gente..
eu pensei ser insensível,
mas vejo que não se é possível..
até pensei ser do lado sombrio,
e que também gostava de sentir frio..
pensei que eu não tinha coração,
e que não tinha nada em minhas mãos..
e pensei odiar cada coisa no mundo,
mas vejo que não consigo fazer alguém chorar nem por um segundo..
pensei que chorar não era pra mim,
e agora me vejo pelo espelho.. assim...
Taynara Andrade
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Hora de dormir
Apago a luz,
e o escuro me seduz;
me deito,
tomada de emoções no peito;
logo meus olhos já se acostumaram com o escuro
que não é mais tão puro
e já parece estar mais seguro.
Nele posso até escrever,
meio perdida com as linhas,
já que não posso ver..
Aproveitando essa inspiração
que vem dessa palpitação,
que não será a mesma quando o sol nascer
ou quando a luz eu ascender.
Escrevendo no escuro e devagar...
aos poucos o sono vem me embebedar..
Aí já não escrevo coisa de se entender..
e esse poema.. só amanhã eu vou ler.
Taynara Andrade
domingo, 21 de novembro de 2010
Tempo
Combinação de mudanças sucessivas
às vezes doces e quase sempre bem agressivas;
provedor de amadurecimento e paciência
mas também muito lento, traz amargura e prepotência
Prova de que nem tudo precisa fazer sentido
mesmo que assim seja preferido por algo já proferido;
causador de desânimo ao descobrirmos, que talvez nada somos
além de poeira cósmica em meio às coisas incontáveis
por isso não somos mais amáveis
Incompetente médico de algumas feridas,
infelizmente não se pode ter várias vidas;
ilusão de que tudo um dia vai melhorar
simplesmente porque a verdade é difícil de aceitar
Invenção fascinante de algo,
esse algo, o homem
garantia de que tudo vai
e nós também temos que ir.
Taynara Andrade
terça-feira, 16 de novembro de 2010
De repente
E de repente me vejo aqui, desse jeito;
me lembrando de todos os seus trejeitos,
e tentando achar normal tudo a seu respeito.
E de repente me encontro aqui, desencontrada;
como se tivesse sido golpeada
sem reações e calada.
Do nada, veio uma angústia desesperadora;
nem sei o que fazer agora,
e fico pensativa por hora.
Do nada, vem o vento e me empurra;
me diz pra levantar depois da surra,
porque o tempo nem me vê, ele urra.
E então, me levanto;
só queria me reestabelecer um tanto,
agora vou procurar meu canto.
Taynara Andrade
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Um sonho
Aquele vácuo no coração
quem nunca sentiu essa sensação?
Onde se encontra aquele alguém
de quem me tornei refém?..
Foi um sonho, literalmente...
eu sei, mas ficou em minha mente
aquele vazio permanente,
daquela pessoa, somente
Aquele sentimento
que devia ser meu acalento;
agora não é mais, está no relento,
foi só um momento
Aquele alguém não existe
ainda sim, essa emoção persiste
solidão, nisso esse sonho consiste,
uma coisa sem limite
Senti um agito na alma
perdi completamente a minha calma
e nem tive como ser salva
E a vida segue tão vazia...
e meu coração se esfria,
com tamanha agonia
posterior àquela euforia
Agora, é viver da forma possível
trazendo no peito, aquele sonho inesquecível.
Taynara Andrade
sábado, 6 de novembro de 2010
Medo
Medo de não ser boa o suficiente ou não ser conveniente,
medo do não estar presente ou ser tão carente quanto prepotente;
medo de não ouvir o que for importante
mesmo que seja dito bem constante.
Medo da minha impaciência em não saber o que é sapiência,
medo de me enrolar simplesmente no meu caminhar, falar...
Medo do tamanho medo que posso sentir
quando não sabem me ouvir;
e também da dor,
que talvez eu nem consiga, aqui, transpor.
Medo incoerente da coerência;
de minhas verdades serem confundidas com inverdades.
Medo da falta de alteridade
em minha complicada idade.
Medo de ser mal interpretada, viver sendo alfinetada,
posteriormente morrer calada
e ser enterrada uniformizada,
simplesmente por engano...
Medo da não aceitação de uma peculiar opinião,
medo da insensibilidade causada pelo excesso da vaidade..
Medo, meu inseparável, eu...
Taynara Andrade
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Ao meu violão
E quando vem a decepção,
ai que saudades do meu violão;
quando aquele vazio me aperta
só ele me dá a nota certa;
e quando o choro vem pra me embargar...
aaaai que vontade de cantar.
Naquelas noites frias com tácito clima...
só ele entenderia minha rima..
com ele meu humor não desafina.
Enquanto a chuva cai
minha tristeza se esvai,
apesar dessa vida fora do ritmo, fora do compasso;
vou construindo a minha passo a passo,
sem deixar traço, mas sem ele não seria fácil..
Taynara Andrade
domingo, 31 de outubro de 2010
A chuva
A chuva traz,
as coisas lá de trás.
A chuva traz a pesada nostalgia
banhada com uma certa agonia;
traz o medo e a calma
embutidos em nossa alma.
A chuva traz aquele cheiro peculiar
de fazer a terra se banhar;
traz aquela calmaria
de me deixar em banho-maria;
traz a saudade insalubre
daquelas coisas, hoje, mais lúgubres
traz o que ninguém pode trazer...
a chuva traz pegadas vívidas de coisas já vividas;
traz coisas que não se pode trazer;
e ela leva também, leva pra tão longe, que nada mais pode trazer.
Taynara Andrade
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